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| Avanço histórico da Direção Espiritual |
Avanço histórico da Direção Espiritual
A relação maestro -
discípulo
Uma relação maestro – discípulo que incluia não somente a
transmissão de idéias, pensamentos e conceitos por meio da palavra,
mais também que além do mais a presença exemplar do
maestro, exercia uma grande influência sobre o discípulo. Considerados como
maestros de vida, não só transmitiam conecitos teóricos, senão que
sua instrução abarcava todos os aspectos da vida e do
comportamento moral.
E o discípulo? Ele era o aprendiz. Dele se
esperava a vontade de aprender, assimilar e modelar-se conforme uma
doutrina e estilo de vida. Esperava-se uma atitude de abertura
de consciência, de confiança e de disponibilidade com relação ao
seu maestro.
O modelo do maestro é Jesus: “Voltando-se Jesus e
vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que procurais? Disseram-lhe: Rabi (que
quer dizer Mestre), onde moras? Vinde e vede, respondeu-lhes ele.
Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia.
Era cerca da hora décima”. ( Jo 1,38-40)
A relação padre
– filho espiritual
Uma vez que Jesus ascende ao céu
e dando aos apóstolos a ordem de ir e predicar,
batizar, transmitir todo o que Ele lhes disse e como
Ele tinha feito, como conseqüência desempenham sua missão como verdadeiros
“pais espirituais”.
São Paulos em Gálatas os chama: “meus filhos”. Os
cristãos de Galácia, tinham desviado-se da doutrina que ele predicou,
deram atenção aos apóstolos judeus. São Paulo experimenta uma grande
dor e lhes disse: “Filhinhos meus, por quem de novo
sinto dores de parto” (Gál 4,19), manifestando-lhes seu amor paternal
que os engendra a nova vida em Jesus e ao
mesmo tempo os sustenta e anima.
Os Atos dos Apóstolos assim
como as cartas nos dãos indícios da preocupação paternal pelos
recém nascidos a nova vida. Em cada comunidade vão deixando
as pessoas dignas e com autoridade para que os substituissem
como guias espirituais. Deixam-lhes recomendações para o cuidado das almas
que foram confiadas.
Época difícil dos princípios da Igreja que necessitava
da valentia e do amor apaixonado ao Evangelho. As cartas
de São Inácio de Antioquia são provas de como viver
o cristianismo com radicalidade, da aspiração de chegar a ser
uma cópia idéntica de Jesus Cristo.
A direção espiritual como abertura
de consciência na vida monástica
Com o declínio do monacato a
meados do século III, muitos cristãos, enquanto se derão conta
da santidade da vida dos ermitãos e dos monjes, os
procuravam para conselhos espirituais. Estava começando o estilo de vida
segundo os conselhos evangélicos vividos com radicalidade.
Nas comunidades monásticas se
institucionalizava a abertura de consciência ao abade ou prior do
mosteiro, ou a algum outro monje de grande experiência. Desta
maneira a direção espiritual se transforma em uma prática ordinária.
Com respeito encontramos testemunhos de representantes da teología ascética como
Casiano, que viveu longos anos entre os monjes da Palestina,
Síria e do Egito. Em um de seus livros exorta
com afinco aos jóvens cenobitas para abrir seu coração ao
velho monje encarregado de sua direção; pede que lhe manifestem,
sem reparo algúm nem falsa vergonha, seus pensamentos secretos, e
entreguem-se enteiramente a seu parecer no que diz respeito ao
discernimento do que é bom ou mal. Esta recomendação segue
sendo válida hoje em día.
A direção espiritual contínua e
periódica no Renascimento e na Época moderna.
É conveniente prestar atenção
nos fatos destacados no século XVI.
a) A meditação como meio
privilegiado da vida espiritual.
Santa Teresa e São João da Cruz,
insistiram na importância da vida de oração como caminho que
deve percorrer uma alma para alcançar a contemplação e união
com Deus. Os dois compreenderam a necessidade de consultar um
pai espiritual que dirigisse a vida interior, e que lhes
ajudasse a afastar-se dos possíveis erros. Um homem “doutor e
santo”, a quem procurar para consultr sobre as experiências espirituais
de oração que tinha. Diante destas requisições, a direção espiritual
neste período toma forma de resposta a uma consulta feita
por uma pessoa que têm experiência de oração e busca
progredir em sua vida espiritual. Encontramos assim as seguintes recomendações:
“A
humildade e sujeição ao maestro espiritual, comunicando-lo tudo quanto acontece
no trato com Deus, causa luz, sussego, satisfação e segurança”.
(San Juan de la Cruz, Obras Escogidas, Colección Austral, n
326. Ed. Espasa Calpe, Madrid, 1969).
“E que grande coisa é,
filhas, um maestro sábio, temeroso, que prevê os perigos. É
todo o bem que uma alma espiritual pode desejar, porque
é grande segurança. Não poderia encarecer com palavras o que
isto importa”. (Sta. Teresa de Jesús, Obras Completas. Ed Aguilar,
Madrid, Camino de Perfección. N. XXXVII, p. 369).
b) A prática
dos exercícios espirituais.
São Inácio de Loyola, influenciou decisivamente sobre
a direção espiritual dado que ela representava a colun vertebral
durante os Exercícios Espirituais.
É necessário para Exercício Espirituais:
- discernir
as disposições pessoais do exercitante,
- suas emoções internars,
-
ajudá-lo em suas dificuldades,
- dispôr conforme a elas a matéria
dos puntos para meditar,
- e ajudar a abrir sua
alma a voz de Deus, máxima ao realizar a eleição
o reforma de vida, respeitando sempre a liberdade do exercitante.
Neste contato pessoal, tanto o exercitador como o exercitante devem
mostrar-se dóceis às moções do Espírito Santo: afinal o exercitador
se lhe concede um carisma especial pelo que desempenha eficazmente
seu ofício para ajudar o exercitante; e a este se
comunicam as luzes e graças adequadas à situação de sua
alama através do exercitador: para fazê-lo caminhar pela via da
fé, da humildade, da simplicidade do espírito. Finalmente, por tanto,
coloquio na fé.
Deus dispôs que, de forma ordinária, os homens
se salve com a ajuda de outros homens; e assim,
aos que Ele chama a um grau mais elevado de
santidade lhes proporciona também a uns homens que lhes guien
em direção a esta meta.
A direção espiritual HOJE
A Igrej através
dos séculos na maioria dos casos apoia-se na experiência de
seus “pioneiros” da vida espiritual. Atualmente a maioria dos documentos
espirituais, mestres de vida espiritual, autores de tratados de teologia
ascécita e mística, percorrem a doutrina tradicional da Igreja e
recomendam a direção espiritual. Esta prática se resume na relação:
maestro – discípulo, pai – filho espiritual, consulta ao homem
doutor e santo, e a formação espiritual pessoal e contínua.
“E
para poder descobrir a vontade concreta do Senhor sobre a
nossa vida, são sempre indispensáveis a escuta pronta e dócil
da palavra de Deus e da Igreja, a oração filial
e constante, a referência a uma sábia e amorosa direção
espiritual, a leitura, feita na fé, dos dons e dos
talentos recebidos, bem como das diversas situações sociais e históricas
em que nos encontramos”. (João Paulo II, Christifideles
Laici, n 58, p. 175).
“Os ministros ordenados, a vida consagrada,
a catequese, os grupos de oração, a «direcção espiritual» prestam,
na Igreja, ajuda d oração”. (CAT IC,
n 2695).
O verdadeiro conceito de direção espiritual respeit a liberdade
da pessoa e a dignidade de sua conciência. A necessidade
manifestada pelos que necessitam de ajuda e conselho está bastante
clara. Os grupo “pseudoespirituais” e seus maestros, a quêm
muitas pessoas buscam, levam os seus clientes a perda da
fé e ao desencontro com Deus. Faz falta bons orientadores
espirituais.
Por isso com muita precisão o Santo Padre Paulo
VI afirmou:
“Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência
dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica
e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e
com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência
fará, e isso, sem pressões coercitivas, sem persuações desonestas e
sem aliciá-la com estímulos menos retos, longe de ser um
atentado à liberdade religiosa, é uma homenagem a essa liberdade,
à qual é proporcionado o escolher uma via que mesmo
os não-crentes reputam nobre e exaltante”. (Evangeli
nuntiandi, n. 80).
Para recordar:
- Jesus, o Maestro por excelência, da
exemplo de atenção personalizada a seus apóstolos, e marca o
caminho da direção espiritual.
- A direção espiritual forma parte da
Tradição viva da Igreja desde a sua origem.
- Desde os
primeiros séculos, foi uma prática contínua, consolidada durante séculos em
ambientes religiosos.
- Na atualidade, a prática da direção espiritual terminou
sendo um meio desconhecido para muitas almas consagradas e que
experimentam na própria pele a sua necessidade.
Reflexão pessoal:
1. Meus orientados
poderiam dizer-me “maestro de vida” não só porque lhes transmito
teorias espirituais, mais também por minha experiência de Deus que
lhes interpela em seu comportamento moral?
2. Concretamente, como cumprir minha
missão de “pai espiritual” ou “mãe espiritual” com as pessoas
que tenho em direção espiritual?
3. Que influência possui minha meditação
pessoal em torno a figura de Jesus Cristo sobre minha
missão como orientador(a)?
4. Analisar o conteúdo da Reflexão de fé
1 – 3 e comentar si este ponto de vista
é válido na Igreja atual.
5. Que papel tem a humildade
para abraçar o conselho do Papa Leão XIII? “Deus dispôs
que de maneira ordinária, os homens se salvem com a
ajuda de outros homens e assim, aos que Ele convida
a um grau mais elevado de santidade lhes proporciona também
alguns homens que lhes guiem em direção a esta meta”.
Reflexão
de fé 1:
Não existe na Sagrada Escritura nenhum texto claro
e decisivo que faça alusão direta a este tema, mais
de qualquer forma insinúa de maneira suficiente em uma grande
variedade de textos. Por exemplo, os seguintes:
“Busca sempre conselho junto
ao sábio” (Tob 4,19).
“Se um vem a cair, o outro
o levanta. Mas ai do homem solitário: se ele cair
não há ninguém para o levantar.” (Ecl 4,10).
“Quem vos ouve,
a mim ouve.” (Lc 10, 16).
“Desempenhamos o encargo de embaixadores
em nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta
por nosso intermédio.” (2 Cor 5,20).
É possível ainda citar os
exemplos de São Pedro, enviado a Cornélio (At 10,5), e
o de São Paulo a Ananias (At 9,6), etc.
Reflexão de
fé 2:
Deus constituiu a Igreja como sociedade herárquica, quis que
as almas se santificassem através da obediência ao Papa e
aos Bispos no fórum externo, e aos confessores no interno.
Assim, quando Saulo converteu-se, em vez de manifestar-lhe Jesus diretamente
suas intenções, lhe enviou a Ananias, para que da boca
deste escutasse o que deveria fazer. Fundando-se nesta passagem, Casiano,
São Francisco de Sales e Leão XIII demostram a necessidade
da direção espiritual: «No princípio da Igreja, disse este último,
achamos uma demostração famosa desta lei: ainda que Saulo, quando
respirava ameaças e morte, ouviu a voz do próprio Jesus,
e lhe perguntou: Senhor, que queres que eu faça? Assim
foi enviado a casa de Ananias: Entra na cidade, onde
se te dirá o que deves fazer». E acrescenta:
« Esta foi a constante prática da Igreja, esta a
doutrina que professaram a um todos quantos, no decorrer dos
séculos, brilharam por sua ciência e santidade»”. (Tanquerey, o.c. 531,
p.286).
Reflexão de fé 3:
A Igreja sempre refutou a emancipação do
orientador, preconizada pelos falsos místicos com o pretexto ilusório de
deixr as almas numa maior liberdade sob a ação do
Espírito Santo, e sempre recomenda a obediência e submissão a
um sábio e experiente orientador. Captando o sentir da Igreja,
Leão XIII, em uma carta ao cardeal Gibbons, afirma notoriamente
que isto foi o que sempre praticaram os santos de
todas as épocas e que os que refutaram esta doutrina
cometem uma verdadeira imprudência. Eis aqui suas próprias palavras:
“Inclui, além
do mais, que os que tratam de santificar-se, pelo mesmo
que tratam de seguir um caminho pouco frequentado, estão mais
expostos a extraviar-se, e por isso necessitam, mais que outros,
um doutor e um guia. E esta maneira de proceder
sempre foi vista na Igreja; esta doutrina foi professada de
maneira unânime por todos os que nos decorrer dos séculos
floresceram por sua sabedoria e santidade; e os que a
repugnaram não poderão fazê-lo sem imprudência e perigo” (Antonio Royo
Marín, o.c. n. 672, p. 809).
* Para mais informações,
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